sexta-feira, 26 de abril de 2013

Pelo Interfone





a.j.: _Tenho medo e vontade, tenho vontade e medo, todo meu desejo desvanecido na falta de coragem. Tocar o fogo pelo espelho ou deixar arder. Mas não, não vou deixar de viver aqui por medo sentir, posso subir?

l.c.: _ Sempre há queda após a subida. Quais as consequências de elevar os olhos e fitar o sol? Certamente seria belo, intenso e ofuscante, capaz de cegar-nos por infortúnio. Sei que desejo o fogo e o anelo com doce aflição, mas o que seria de nós depois de me ver perdida em teus braços, satisfazendo a carne ou talvez o coração?

a.j.: _ Ah si tu soubesse qual nirvana alcançaríamos se nos víssemos entrelaçados em meio a nosso calor, com desejo, palavras claras sussurradas com beijo doce e forte, elevando o momento feito único, gravado na memória, um quadro bem pintado criado em um segundo, lento. Traduzindo a perfeição, toque leve que marca, não terias duvidas entre pele e coração.

l.c.: _ Já se passaram meses desde que me sentei aqui, a escutar tua voz, para produzir esse disfarce da espera. O relógio sabe bem menos e diz que faz meia hora. A distância entre nós vai diminuindo. Uma luta travada pelo conflito, entre anseios de felicidade e o vazio do depois. Minhas escadas agora têm menos de uma légua; sei que nossa batalha é o começo de uma trégua.

a.j.: _ Sábio o tempo, que traz em meia hora ou em anos a aproximação entre quem sempre esteve tão perto mas nunca próximo ao ponto de se encostar. Esperar por esse momento é em vão, jamais se sabe a hora em que esses mundos vão se tocar. Mas ao momento devido não vá hesitar em deixar viver, o tempo há de esquecer enquanto em sua presença permanecer. Não espere mais sabendo que o tempo traz, mas também leva; não tem porque!

l.c.: _ Quando na poesia não couber mais o medo, que de tão vazio se enche; inaugural se fará tua 
presença ao meu mundo. Na pintura, eu desço, você sobe ou, em um lugar distante, sem distância entre nós, com um silêncio admirado. Da janela, brilho discreto entre as cortinas, e um beijo desajeitado.

(metade da emoção veio de longe e a outra, de dentro. salves ao poeta Anderson Juliani - a outra metade!)

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