desviei dos pingos de chuva
e caí em uma poça d'água.
evitei os olhares
e caí em teus lábios.
sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Diário da saudade, dia 5; regando um novo horizonte
Abraçados e ofegantes, era a intimidade alcançada, realização suprema do êxtase. Mas a cabeça dele viajava em algo que o incomodava já havia algum tempo.
"Eu tenho minha vida planejada, dizia ela. Me casarei virgem. Mas antes disso, quero ser independente, chegar cansada após um largo plantão (ela queria ser médica), abrir a porta do meu apartamento, que comprei com meu trabalho, jogar a chave em cima da mesa central da sala, colocar uma boa música, bossa nova talvez, abrir um vinho e relaxar no sofá noite adentro."
Não havia espaço para mais ninguém em sua vida, todos os planos dela já haviam sido traçados. Ele era o intruso que insistia em ficar. Mas para ele, valia a pena ficar. Insistir.
_ Algum tempo atrás você me contou seus planos para o futuro. Terminaria a Universidade, trabalharia, chegaria ao seu apartamento, colocaria a chave sobre a mesa, e relaxaria... SOZINHA! Mas agora, você não é mais virgem e, estamos juntos não estamos? Os planos mudaram, estraguei seus sonhos...
_ Os planos não mudaram, e meus sonhos continuam os mesmo. Pretendo me formar, comprar um apartamento, chegar em casa cansada, jogar as chaves sobre a mesa, colocar uma boa música, abrir um vinho; só que agora, quando eu me deitar no sofá, espero que você também esteje nele...
terça-feira, 22 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
insensatez
boca doce,
sorriso brilhante.
capazes de causarem
uma saudade
lambuzada de culpa.
mesmo assim,
te queria novamente.
sorriso brilhante.
capazes de causarem
uma saudade
lambuzada de culpa.
mesmo assim,
te queria novamente.
quarta-feira, 28 de março de 2012
uma outra cena
eu: (sei que em qualquer momento vou acordar)
t.: (do nosso delírio)
eu: (esqueço de explicar as coisas)t.: (eu quase entendi sem explicação)
eu: (eu adoro parênteses, você notou?)
t.: (notei… gosto bastante deles também)
eu: (são ótimos)
t.: (o problema é sair deles depois)
eu: (pois é. tinha acabado de pensar nisso)
(mas é confortável aqui dentro também)
t.: (confortável e seguro)
eu: (um abrigo)
t.: (sua casa fora de casa)
eu: (e só com os sons que você escolher. aqui dentro do meu, louis armstrong canta dream a little dream of me)
t.: (pela décima quinta vez no dia)
eu: (vou rir ali fora e já volto)
hahaha
(agora, pela décima sexta vez)
t.: (não pode rir aqui dentro?)
eu: (pode. é que ia fazer muito barulho e atrapalhar o louis.)
t.: (louis em loop)
eu: (agora, ele canta com a ella)
t.: (ah, que lindo)
quarta-feira, 21 de março de 2012
Minha cara amiga,
Hoje quero lhe justificar meu amor por ti e, a difícil tarefa em ser como sou (perfeccionista) sem perder sua amizade. Uma forma de dizer: "Viva! a Fernanda nasceu. P'ra iluminar, claro".
Minha justeza cobra caro, querida. É quase rigidez, por vezes. Você bem sabe. Não se pode derrubar o arroz na toalha. Não se pode! E se um grãozinho resolve escapar da boca é como se o mundo fosse para desexistir naquele exato instante. Agora-já e nada mais faz sentido. O arroz em cima da mesa.
(Em minha justeza, de braços afoitos, engendro um malabarismo perigoso. Não se deve não sentir muito. Só se deve sentir tudo, de uma vez só, e sem deixar transbordar nada, nem um grão).
Uma justeza justa demais, querida Fernanda. Não há espaços para pregas nem tão pouco alinhavos. Por isso, às vezes sufoca, bem sei.
E quando se trata de amor-irreversível, assunto mais caro que arroz, minha justeza é ainda mais justa. Se um pozinho de estrela, feito você, escorrega de minhas mãos, chego a desejar o antes do desexistir: um lugar bem escuro onde nenhuma mão jamais alcançou. Nem as minhas nas suas.
É no amor, meu amor, que mais quero ser toda sem derramar. Mas amor não é dado a coluna ereta, costuma rebolar e manchar tudo de pó de estrela. Faz brilhar. Transborda. Faz chuva de arroz depois da marcha nupcial.
Mas não se preocupe, amada Fernanda. A justeza de Lilian é justa e volta sempre a pegar os grãos de arroz. Um a um. Sempre.
Te amo com a minha justeza e peço, justamente por isso, perdão pela distância nesse dia.
Brilhe, eu juro que juntarei os pozinhos de estrela. Com cuidado, dançando nas pontas dos dedos. Nas minhas mãos. Sempre nas suas. Amém.
Lilian
Minha justeza cobra caro, querida. É quase rigidez, por vezes. Você bem sabe. Não se pode derrubar o arroz na toalha. Não se pode! E se um grãozinho resolve escapar da boca é como se o mundo fosse para desexistir naquele exato instante. Agora-já e nada mais faz sentido. O arroz em cima da mesa.
(Em minha justeza, de braços afoitos, engendro um malabarismo perigoso. Não se deve não sentir muito. Só se deve sentir tudo, de uma vez só, e sem deixar transbordar nada, nem um grão).
Uma justeza justa demais, querida Fernanda. Não há espaços para pregas nem tão pouco alinhavos. Por isso, às vezes sufoca, bem sei.
E quando se trata de amor-irreversível, assunto mais caro que arroz, minha justeza é ainda mais justa. Se um pozinho de estrela, feito você, escorrega de minhas mãos, chego a desejar o antes do desexistir: um lugar bem escuro onde nenhuma mão jamais alcançou. Nem as minhas nas suas.
É no amor, meu amor, que mais quero ser toda sem derramar. Mas amor não é dado a coluna ereta, costuma rebolar e manchar tudo de pó de estrela. Faz brilhar. Transborda. Faz chuva de arroz depois da marcha nupcial.
Mas não se preocupe, amada Fernanda. A justeza de Lilian é justa e volta sempre a pegar os grãos de arroz. Um a um. Sempre.
Te amo com a minha justeza e peço, justamente por isso, perdão pela distância nesse dia.
Brilhe, eu juro que juntarei os pozinhos de estrela. Com cuidado, dançando nas pontas dos dedos. Nas minhas mãos. Sempre nas suas. Amém.
Lilian
(todo o pó de estrela em nossas mãos, unidas.
meus domingos serão de cachorro-quente com as crianças na Fernada).
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Especiarias
Num dia vazio, sem tempero; invadiu a minha casa, e inundou tudo por aqui. De ternura. Mas não foi uma ternura dessas comuns que a gente compra em todo lugar. Foi uma ternura ácida, artigo raro de se ver. Depois disso, nunca mais.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Minha solidão deu uma espiadela na sua
com você, não sei manter contato visual.
prefiro o silêncio, a distância.
os olhos para o alto.
mais por pudor que por despeito,
(no meu caso).
pudor por ser maior o suspiro.
você está certo,
meu disfarce é minha linguagem.
saudade, enfim,
saudade, enfim,
de perder os olhos perto de você.
Assinar:
Postagens (Atom)
