sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Diário da saudade, dia 8; resgatando as raízes

    



        Quando você chega a idade adulta, o normal é pensar que nada mais mudará na sua personalidade; pensa-se que o caráter está definido e a essência permanecerá. Ledo engano.
           O lado negro da força é mais poderoso do que se possa imaginar. E não estou me referindo a maldades ou crueldade humana mas da possibilidade de se enegrecer por dentro; tornar-se menos, deixar o belo e caminhar a passos largos ao abismo; provar o deleite do obscuro. Uma real preocupação, da qual às vezes passa de mansinho pelos dedos e domina a mente, a fala, o pensamento, os sonhos, os desejos, a procura (ou falta dela) e as ações. Ah, as ações! Tornam-se perigosas, inconsequentes, mal acompanhadas e muito estimuladas.
       O problema dessa transição é que ela vicia. A sensatez é chata, pedante; o lado negro é convidativo, excitante; sua porta é mais larga e seus vinhos mais doces.
            E foi nessa doçura que te provei.
            Degustei seu olhar, inalei seu aroma, saboreei sua acidez - sutil mas impactante!
            Nos vi assim: inebriados e perdidos. Duas belas almas longe do oásis.
            Queria te sorrir música, te beijar em poemas; esculpir teus cabelos e recitar tua dança. Mas onde estava eu, senão ali, desencontrado de mim e apegado à você?
          Sentei ao seu lado no escuro; derramei incertezas no teu chão e reguei com medos. Mal sabia eu que teu solo era fértil e que de lá, brotaria a poesia que somos hoje.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

vida em branco

uma batalha a ser vencida,
uma vida a ser vivida.
há um desejo de vitória agonizando pela inércia.
espíritos aflitos caídos em seus rincões,
cada qual com seu assombro pessoal.
o que os impede?
o medo de falhar ignora a falha em não tentar.
um desmazelo com o útil,
uma leviandade com o próximo.
lhes falta amor;
esse que craquela o íntimo para logo lhe esmaltar a alma.
e tudo segue parado.
os sonhos são grandes,
a entrega é pequena,
o esforço é nulo e
a alma, gris.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Devoradora

Perdem-se as palavras 
entre os beijos 
languidos e lascivos,
corrompidas 
pela necessidade de amar.
Gestos 
descontrolados e instintivos.
Um desejo 
que não se pode explicar!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Diário da saudade, dia 7; refletida em mim


embora soubesse que nada seria como antes, a apaixonada se manteve firme.
cortou os cabelos, entrou no pilates e enfrentou o mundo.
de noite desabava.
muitos por fora, ninguém por dentro.
se viu sozinha...
se viu sozinha no mar.
se viu sozinha no supermercado.
se viu sozinha no inverno.
se viu sozinha diante da taça de vinho.
se viu sozinha com o livro nas mãos.
se viu sozinha no trabalho.
se viu sozinha nas fotos.
se viu sozinha para sempre!

até que um dia, 
se viu...

Tudo muda


Ela deixou de acreditar na sorte.
Aprendeu a escutar o fracasso.
Olhou a sua frente e viu a longa estrada.
Depois de tempos e pensamentos, caminhou...
Subiu e desceu desafios,
lutou contra o vento;
mas a vida é um sopro...

terça-feira, 8 de novembro de 2016

derretendo o tom


você penetra minha fortaleza
fagulhas do sol me ardem a visão
rezo para você bailar
cultivar o solo da imaginação.

fantasio com a teu ritmo
um salto perigoso da ilusão
entoo uma suave melodia
te invado sem tua permissão.

a luz por entre as árvores
ilumina tua afável versão
queria despetalar teu pudor
morar na tua eterna canção.

os encantos foram tantos
esparramou-se, perfurando a solidão
libertou meu juízo
trouxe desordem à imensidão

toque delicado, marcante
segundos de duração
um delírio doce envolvente
tragado na escuridão.

confesso que só vi
as cores em contradição
quando uma gota de culpa
pousou na tua mão.




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

de coração:





ah, menina!
acalma a vista
arrepia a pele
amando o gozar!

ah, menina!
alimenta a luz
amanheça o delírio
absolvida para amar!
ah, menina!
anda teus passos
aprecia o voo
até quando brilhar!