segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diário da saudade, dia 1; ela já sabia




Ela já sabia que o amor não existia . Por isso tratou de inventá-lo.

Começou pelas pontas dos dedos. Pintou as unhas de laranja-desmaiado, da cor de amor quando quer desmorrer. Assim que secaram, levou-as para ele ver. Durante a noite, desfilou as mãos cuidadosamente manchadas de tinta pelo corpo do moço. Pousou-as nas costas dele e mirou longamente o amor inventar-se ali nas pontas de seus dedos. O amor era laranja. Cor de laranja.

Ela já sabia que o amor não existia . Por isso tratou de inventá-lo.

Também comprou uma porção de vestidos. Já sabia que tudo o que não existe vem embrulhado em vestidos rodados. Encantados. Feitos os de princesa: Traje a rigor para encontrar o lugar-nenhum. De rodado-encantado, dançou no corpo dele. O amor era de "era uma vez". E agora, era a vez de ser feliz para sempre.

Mas, ela já sabia que o amor não existia . Mesmo.

E as pontas dos dedos já não alcançavam a sua melhor invenção. Tentou o vermelho. Rosa. Marrom. Laranja. Rosa. Vermelho. Vermelho. Roxo. Laranja. Durante noites, passou procurando o tom do amor. As mãos desfilando pelo corpo do moço sem rumo. Tateando sem encontrar. Cor de laranja? Rosa. Marrom. Laranja. Laranja. Unha. Vermelho. Unha. Vermelho. Unha. Unha. Unha. Unha. Unha. E ela nunca mais voltou à manicure.

Mas, ela já sabia que o amor não existia . Mesmo.

Depois de tirar todos os vestidos rodados, um a um em cima do corpo dele, conheceu o desencanto. Desembrulhou-se. Rasgou as fantasias. Emborralhou-se. Já não cabia no lugar-nenhum e nem transbordava no infinito. Sabia que nunca ninguém jamais estivera por lá, nem divinamente embrulhado em ouro.

Ela já sabia que o amor não existia. Mesmo. E nem achava mais graça em inventá-lo.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

transcrevendo o coração (a carta)

A vida está boa aqui, aí creio que não deve ser diferente.
com todo esse calor os dias parecem mais longos e a luz é mais vermelha...
é bonito o reflexo nas árvores e a brisa movendo as folhas e as flores espalhadas pelo chão.
Hoje acordei mais leve, apesar da confusão mental e emocional; estava suspensa e as dúvidas
não pesaram, me senti melhor! Aprendendo a viver no escuro.
Por esses lados o movimento diminuiu, as pessoas têm mais calma... vai ser um belo mês de novembro.
espero que boas novas estejam a caminho.
...as coisas ainda são imprevisíveis e estranhas.
eu tenho estado ansiosa e com medo, mas eu acho que vai dar tudo certo no final.
eu penso em você todos os dias...espero que esteja bem...e em paz.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

revolução

pintei meu céu, agora ele é vermelho.
como minhas unhas
minhas flores
meu sangue
e minha  paixão!