quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Toda em retalhos



Sou composta de pequenas lembranças.
Sou a criança loira da foto, segurando o braço, fazendo beicinho e ameaçando um choro dengoso por conta do arranhão do gatinho do primo.
Sou o sorriso de triunfo em subir o pé de jambo do vizinho sem ser vista pelos ferozes cães.
Sou a menina que brinca escondida na rua com os vizinhos e corre de volta para casa quando avista a mãe na esquina.
Sou a cumplicidade com a melhor amiga, em “operações secretas” nas descobertas românticas da adolescência.
Sou a desajeitada que caiu do banco no primeiro encontro.
Sou a “nerd descolada” que tirava as melhores notas da sala, mas jogava truco com os meninos no intervalo.
Sou a imagem refletida no espelho a observar as marcas nos lábios feitas pelo aparelho ortodôntico do primeiro namorado após o primeiro beijo.
Sou a amiga extrovertida que alegra a festa e também a que apoia nos momentos difíceis.
Sou a ex-namorada que mandou bombons no ‘dia do amigo’.
Sou a loucura que domina a mente em uma insana paixão.
Sou a euforia no peito em ouvir um “eu te amo” recíproco.
Sou a decepção de vários apaixonados não correspondidos.
Sou a lágrima quente que deixa um rastro vermelho no rosto ao término da fantasia amorosa.
Sou o medo e a insegurança na experiência de sair de casa e ir morar sozinha.
Sou os porres e ressacas vividos com os amigos-irmãos em tantas aventuras tresloucadas.
Sou a tristeza em viver longe da família e amigos.
Sou a alegria de ser amada intensamente; mesmo sabendo que os amores têm fim.
Sou a dor em perder o avô tão querido.
Sou a estudante batalhando para realizar um sonho profissional.
Sou a mulher que um dia quer casar e ter filhos.
Sou descobertas.
Sou reencontros.
Sou adeus.
E não há perfeição maior do que juntar as partes de toda uma vida e ser única. De pedaço em pedaço, sou inteira.