Sou composta de pequenas lembranças.
Sou a criança loira da foto, segurando o braço, fazendo
beicinho e ameaçando um choro dengoso por conta do arranhão do gatinho do
primo.
Sou o sorriso de triunfo em subir o pé de jambo do vizinho
sem ser vista pelos ferozes cães.
Sou a menina que brinca escondida na rua com os vizinhos e
corre de volta para casa quando avista a mãe na esquina.
Sou a cumplicidade com a melhor amiga, em “operações
secretas” nas descobertas românticas da adolescência.
Sou a desajeitada que caiu do banco no primeiro encontro.
Sou a “nerd descolada” que tirava as melhores notas da sala,
mas jogava truco com os meninos no intervalo.
Sou a imagem refletida no espelho a observar as marcas nos
lábios feitas pelo aparelho ortodôntico do primeiro namorado após o primeiro
beijo.
Sou a amiga extrovertida que alegra a festa e também a que
apoia nos momentos difíceis.
Sou a ex-namorada que mandou
bombons no ‘dia do amigo’.
Sou a loucura que domina a mente em uma insana paixão.
Sou a euforia no peito em ouvir um “eu te amo” recíproco.
Sou a decepção de vários apaixonados não correspondidos.
Sou a lágrima quente que deixa um rastro vermelho no rosto
ao término da fantasia amorosa.
Sou o medo e a insegurança na experiência de sair de casa e ir
morar sozinha.
Sou os porres e ressacas vividos com os amigos-irmãos em
tantas aventuras tresloucadas.
Sou a tristeza em viver longe da família e amigos.
Sou a alegria de ser amada intensamente; mesmo sabendo que
os amores têm fim.
Sou a dor em perder o avô tão querido.
Sou a estudante batalhando para realizar um sonho
profissional.
Sou a mulher que um dia quer casar e ter filhos.
Sou descobertas.
Sou reencontros.
Sou adeus.
E não há perfeição maior do que juntar as partes de toda uma
vida e ser única. De pedaço em pedaço, sou inteira.

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